O QUE ESTÁ HAVENDO COM BRASÍLIA?

EPISÓDIO 2

NESTE EPISÓDIO VOCÊ ENTENDERÁ COMO ESTÁ A SEGURANÇA PÚBLICA EM BRASÍLIA, O QUE TEM MUDADO NESSE PERÍODO DE CRISE COM ALGUNS DADOS E A INTERPRETAÇÃO DELES.

  • O que o criminoso tende a analisar?

    Normalmente o Criminoso ou Potencial Criminoso, analisa na maioria das vezes algumas coisas para decidir se comete um crime, são elas:

    • Qual a motivação para cometer o crime? (Assim sendo, se ele precisa cometer aquele crime de fato, por exemplo, o criminoso vai furtar um celular, ele buscará avaliar se precisa daquele objeto seja para vender, usar, trocar por droga, etc, ou se é um motivo pessoal como caso de crimes contra a vida).
    • Qual resistência poderá encontrar para cometer tal delito? (Ou seja, se a vítima poderá reagir ou não, se terá risco de ser pego em flagrante, etc.).
    • A pena a ser cumprida por tal crime caso seja preso será alta? (Por exemplo, em um caso de furto de um objeto com valor abaixo de um salário mínimo caso o réu seja primário o Juiz poderá decidir que o mesmo deva pagar apenas uma multa, dentre outras possibilidades que trataremos posteriormente.)

    Há alguns casos que o criminoso não faz nenhuma análise para cometer esse crime, muitas das vezes por conta de já praticar tal ato anteriormente (o que não exclui o fato dele na primeira oportunidade ter feito essa analise), ou como o caso do indivíduo estar sob efeito de drogas psicotrópicas ou em abstinência do uso assim sendo o mesmo só age de acordo com a sua motivação para cometer o crime, sendo ela na maioria das vezes para que possa comprar mais drogas.

  • Que tipo de crime tem aumentado?

    No DF tivemos um aumento nos chamados crimes contra o patrimônio, que são eles: Furto, roubo, dano, extorsão, estelionato, apropriação indébita e receptação (Além de demais tipificações específicas de cada um e do latrocínio, que é um roubo seguido de morte).

    Você não precisará ser um expert do direito, que neste tópico explicarei um pouco mais a frente sobre cada um, pois pro senso comum os crimes basicamente são assalto, sequestro e assassinato. (Haha, talvez alguém se identifique aqui, culpa da mídia que noticia desta forma.)

    No entanto um fator interessante a se analisar tem sido o índice de homicídio que tem diminuído. Um fator que contraria a tendência do senso comum.

    Obs.: Senso comum = Pensamento geral da população leiga do assunto.
  • O que isso tem a ver com a economia?

    Sabemos que a violência tem sempre um motivo, às vezes não entendemos qual seja ele. No entanto se você reparar bem de fato boa parte é motivado pela falta de oportunidades.

    Não que não existam oportunidades, a questão é que a facilidade de acesso ao crime por vezes é maior do que a uma oportunidade de emprego ou estudo.

    Deste modo o fator ético e moral por vezes não é um impedidor para a pessoa começar a praticar crimes, às vezes por conta de uma simples porta de entrada.

    Resultando em um impacto na economia tanto por conta do aumento dos crimes contra o patrimônio que subtraí do cidadão, ou do empreendedor algum bem, dinheiro, causando prejuízo. Em alguns casos levando lojas a fecharem por conta da insegurança do local. (Assim resultando em aumento no desemprego e fortalecendo esse ciclo.)

Se você mora no Distrito Federal, talvez você conheça alguém ou até mesmo já tenha sido vítima de algum crime. Às vezes você tenha conseguido escapar de algum por pouco ou visto acontecer desta forma com alguém.

Eu já fui vítima de roubo a mão armada, furto qualificado e por muito pouco não acabei sendo vítima de um sequestro relâmpago. (Talvez algum dia você possa saber mais como ocorreu essa situação, ou talvez se você for mais próximo de mim já saiba).

E o que isso tem a ver com você? Ou com seu negócio? Ou com a questão econômica? Responderemos neste artigo essas questões te trazendo alguns dados do que tem acontecido também.

E ao final do artigo você conhecerá um grande desafio que o Governo do Distrito Federal vem buscando meios de enfrentar.

Esta é uma série de artigos, que busca responder: “O que está havendo com Brasília?” Caso não tenha visto o episódio anterior, não perca tempo CLIQUE NO BOTÃO AO LADO e depois volte a este artigo!  Para seguir aos próximos tópicos, ou se preferir após ler todo este artigo, veja o anterior.

O que acontece na crise?

Assim como foi abordado no artigo anterior o crescente índice de desemprego em Brasília acaba por levar pessoas a se desestabilizarem e algumas acabam por ver ali uma oportunidade de conseguir dinheiro para suprir suas necessidades.

Quem não se lembra de um caso que a pessoa para suprir as necessidades da família roubou algum objeto e foi preso, ou até mesmo foi roubar algo para comer?

São diversos os casos como o caso de Jorlan Souza que simulou uma arma por baixo da blusa pra roubar de uma senhora para que não faltasse comida para o bebê e acabou preso em flagrante, no entanto sua história foi verificada e comoveu a polícia que ajudou a família com uma cesta básica.

Ou também para destacar o caso do Mário, pai de um menino de 12 anos, que tentou furtar uma carne, para que pudesse dar ao filho o que comer e acabou preso.

Após conhecerem a sua história os policiais se mobilizaram e pagaram a fiança para que o eletricista voltasse a cuidar do filho que ficaria desamparado até a data da audiência que o pai estaria preso e ajudaram-no em suas necessidades.

Deste modo te desafio a pensar no lugar de uma dessas pessoas, o que você faria se visse aquela pessoa que você MAIS AMA passando fome em casa?

Qual especificamente tem sido o problema da segurança do DF?

O problema dos crimes contra o patrimônio no Distrito Federal vai muito além da motivação econômica, tendo em vista que esta é importante, no entanto não é apenas uma questão de oportunidades. Como também de infraestrutura, políticas adequadas para cada ação, dentre outras questões.

Logo após muitos estudos sobre o tema entendo que não serei eu a dar a solução para o problema. No entanto aqui vão alguns fatos precisam ser analisados:

Ou seja, a polícia do DF está investindo para diminuir os crimes contra a vida e no combate ao tráfico de drogas, enquanto crescem os crimes contra o patrimônio? Este é o resultado mais simples retirado destes dados.

No entanto há de se ressaltar que outra interpretação seria a mudança de atividades realizadas pelos criminosos, dando enfoque em outros tipos de crimes.

Outra questão a ser analisada é: O problema não tem sido exatamente prender, pois os números da população carcerária no Brasil estão em constante crescimento, já sendo um aumento de 270% em 14 anos. A questão principal é buscar meios de que possam evitar os crimes.

Fato a ser observado que dado aos fatores motivadores da policia do DF esperava-se um resultado superior em relação a diminuição da criminalidade.

Vamos entender os números?

Os crimes contra o patrimônio são assim definidos pelo fator ser primordialmente econômico, ou seja, com fins de obter um resultado financeiro.

Para que você possa entender melhor a tipicidade de cada crime, os crimes possuem seus agravantes e fatores que os definem, como por exemplo:

O furto difere do roubo por não apresentar grave ameaça a vítima, mesmo que um criminoso subtraia da vítima um celular fará diferença se ele pegou sem que a vítima percebesse, se ele utilizou de técnica ou por exemplo escalou um muro caracterizando um furto qualificado, deste modo há diferenças na pena, no entanto o criminoso pode simular uma arma de fogo para o mesmo fim e assim ser caracterizado como roubo, tendo uma pena mais pesada.

Estes pequenos detalhes fazem a diferença nas estatisticamente também, no entanto não se apegue a essas questões no momento.

Vamos tratar de alguns dados simples, o crime contra o patrimônio no geral houve uma curva conforme o gráfico apresentado acima em alguns anos, como em 2011 e 2015, se considerado a diferença entre o ano de 2012 e 2016 em número de ocorrências há um aumento de quase 75%, fator que houve uma queda nas ocorrências em 2015 e voltou a subir em 2016.

Um fator a ser observado nessa questão é que houve um decréscimo no índice de roubos em comércios tratando o período de início de crise econômico no qual houve fechamento de diversas lojas e diminuição no movimento potencialmente os criminosos passaram a realizarem mais roubos a transeuntes.

Causando uma queda de aproximadamente 18% no índice de roubos em comércios entre 2012 a 2016. Enquanto os roubos a transeuntes aumentaram em aproximadamente 132% no mesmo período. Os roubos a coletivos também aumentaram aproximadamente no mesmo percentual de roubos a transeuntes.

Um dos fatores geradores destes números é o baixo movimento nos comércios e diminuição do número de lojas e o constante movimento gerado por iniciativas de cultura, protestos, eventos e etc, que acabam por atrair um grande número de criminosos conhecidos como “batedores de carteira”, que cometem o furto qualificado em meio a aglomerações.

Ps: Transeuntes = Pessoas que transitam em algum local.

Você sabe qual região administrativa tem sido mais/menos segura?

Top 5 Aumento nos crimes contra o patrimônio no DF

Este fator controverso acaba por incomodar a muitos, tendo em vista que dos 5 locais que tiveram maior aumento nos crimes contra o patrimônio, quatro são áreas periféricas, com uma criminalidade crescente.

Brasília se destaca na segunda posição dado ao fato da quantidade de pessoas que transitam por lá, por conta de trabalho ou estudos, que por vezes terminam como vítimas deste crime. Gerando uma grande insegurança para os que ali transitam.

Um dos fatores que causou um aumento de crimes em Brasília foi o que ficou conhecido como “prédio do crack” ou “cracolândia do DF”, um hotel abandonado no eixo monumental localizado bem ao centro de Brasília, que funcionou por cerca de 4 anos como ponto de consumo e venda de drogas, até conseguir enfim ser desocupado pela Polícia.

Enquanto nas cidades da periferia de Brasília são diversos fatores que contribuem para o aumento destes crimes. Sendo um problema estrutural que o Distrito Federal carrega desde sua fundação, com uma população muitas das vezes marginalizada e entregue ao crime.

Um dos fatores que contribuem também para o aumento na criminalidade em Ceilândia e arredores será abordado no tópico seguinte…

Top 5 Diminuição nos crimes contra o patrimônio no DF

Na contramão do Distrito Federal seguem algumas regiões administrativas que tiveram uma diminuição na taxa de crimes contra o patrimônio, sendo marcados em boa parte por se tratarem de áreas nobres de Brasília.

Deste modo levanta mais uma questão em relação a segurança pública, tais áreas como o Lago Sul, Águas Claras, Park Way e Granja do Torto são marcadas por em sua maioria serem compostas por condomínios fechados, ou seja, os mesmos possuem uma segurança particular que acaba por auxiliar e garantir a segurança do local.

No entanto uma região se destaca em meio as demais que são semelhantes, o Núcleo Bandeirante é uma região que não é composta majoritariamente de condomínios fechados e com segurança privada. No entanto ainda assim ocupa a segunda posição no ranking diminuindo em 70 ocorrências a quantidade desse crime.

Alguns fatores podem contribuir para que a “cidade livre”, assim como é conhecida desde sua fundação tenha uma diminuição na criminalidade, o Núcleo Bandeirante possui uma população que pouco se renovou desde a origem de Brasília, foi criada como uma cidade que possibilitaria o comércio e a habitação daqueles que vieram para construção de Brasília constituindo-se como um dos principais núcleos anteriores à inauguração de Brasília.

Não é difícil perceber andando pela cidade que boa parte da vizinhança costuma se conhecer, fator esse que acaba por trazer a proximidade entre os que ali transitam e dificultar a ação dos criminosos. Outro fator é a densidade populacional ser baixa também é um facilitador para o combate ao crime.

Você sabe qual a maior favela da América Latina? Aonde está localizada?

A Maior favela da América Latina está localizada na cidade (Região Administrativa) que está em segundo lugar no aumento de crimes contra o patrimônio e representa um dos maiores índices de criminalidade.

O Sol Nascente, comunidade que surgiu na Ceilândia dominada por grileiros e criminosos, atualmente é um motivo para dor de cabeça do Governo do Distrito Federal, por conta dos inúmeros problemas de infraestrutura.

Em 2016 a Ceilândia foi considera a 43ª cidade mais populosa do Brasil, com 489.351 habitantes, representa aproximadamente 16% do número de homicídios no Distrito Federal em 2016, a mesma porcentagem se reflete na quantidade de crimes contra o patrimônio.

No entanto por possuir a maior densidade populacional do Distrito Federal estes números em relação a quantidade de habitantes coloca-a em uma posição abaixo a média do DF (que possui uma taxa de 2129,6 por 100 mil habitantes para os crimes contra patrimônio), enquanto a taxa para cada 100 mil habitantes de Ceilândia é de 1947,7 casos, mesmo registrando seus 9917 casos em 2016.

O mesmo ocorre para a taxa de homicídio que apesar de em 2016 ter registrado 93 vítimas, mantem-se abaixo da média do DF em relação ao número de habitantes (18,3 para 100 mil habitantes, enquanto a média do DF é de 19,7).

Como é a vida nesta favela horizontal?

O local possui problemas de saneamento básico, muito lixo e falta de esgoto. Dominada pela criminalidade em alguns locais é relatado que os criminosos fazem uma espécie de toque de recolher pra população não ficar na rua.

Juntamente com o Pôr do Sol somam 78.912 moradores, ou seja mais de 16% da população de Ceilândia mora em uma situação de vulnerabilidade, sem infraestrutura, em meio a ruas sem asfaltos, muito lixo e esgoto a céu aberto.

O Governo do Distrito Federal recentemente iniciou uma série de ações para buscar solucionar esses problemas, fechando a via principal para obras no sistema de águas pluviais. Um grande desafio que se inicia com a construção do sistema de drenagem de águas pluviais, pavimentação asfáltica e de meios-fios na região.

Talvez este seja um dos principais desafios desde o início de Brasília, dado a densidade populacional em situação vulnerável.

Quem sabe futuramente nesta série possa ser feito um mapeamento mais detalhado da região, para isso não deixe de acompanhar.

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